A Perspectiva Divina |

A Perspectiva Divina

Do periódico Christian Science Sentinel, 20 de janeiro de 1923, Nelle B. Beardslee


Thoreau disse certa vez: “Há tanta beleza visível na paisagem quanto estivermos dispostos a apreciar, nem um grão a mais. Os objetos que um homem vê do alto de uma colina são tão diferentes daqueles que outro vê quanto os próprios observadores são diferentes.” Este fato, discernido por Thoreau a respeito dos objetos da natureza, o Cientista Cristão sabe ser igualmente verdadeiro em relação a toda experiência humana; pois para o Cientista Cristão foi demonstrado que Deus, o bem, sendo onipresente, tudo o que é perfeito, belo e satisfatório, está sempre e em todo lugar presente, e a perspectiva do indivíduo determina a quantidade de bem que ele percebe e desfruta.

Pode-se dizer que a missão da Ciência Cristã é espiritualizar a perspectiva de cada um para que a presença do bem se torne aparente aqui e agora; pois esta Ciência não busca mudar o que Deus criou, mas revelá-lo. É a operação do Amor divino que espiritualiza o pensamento e nos dá a verdadeira perspectiva. O Amor divino nos permite compreender o Pai e Suas manifestações, assim como o afeto humano nos ajuda a compreender uns aos outros no dia a dia. Descobrimos, então, que a verdadeira perspectiva nos revela, na medida exata em que a possuímos, a perfeição presente do ser e destrói o mal que, para o pensamento não iluminado, pode parecer existir.

O Amor divino é e sempre foi refletido através da compreensão espiritual no homem de Deus. Jesus estava atento a ele; aliás, era o Cristo que Ele manifestou. Poderíamos dizer que foi a perspectiva correta de Jesus que lhe permitiu contemplar, espiritualmente, o homem perfeito, onde o sentido material via um doente; e Mary Baker Eddy nos diz em nosso livro didático, “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras” (p. 477): “Essa visão correta do homem curava os enfermos”.

O profeta Jeremias deixa bem clara a diferença entre aquele cuja perspectiva é espiritualizada e aquele cuja visão é obscurecida pela materialidade. Ele diz deste último: “Ele será como a urze no deserto, e não verá quando vier o bem; mas habitará os lugares secos no deserto, em uma terra salgada e inabitável”. O bem está presente; mas, por causa da escuridão da mente mortal, ele não o vê; pois ainda é um habitante mental dos “lugares secos no deserto” — deserto, aquele estado infeliz caracterizado no Glossário de Ciência e Saúde (p. 597) como “solidão; dúvida; escuridão”.

Quão diferente é a experiência daquele que habita na compreensão do Amor divino! Ele se alegra ao prosseguir, em consonância com as palavras do profeta: “Abençoado é o homem que confia no Senhor. […] Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, porque a sua folha fica verde; e no ano da seca não se perturba, nem deixa de dar fruto”. O calor e a aridez da chamada mente mortal não têm poder para afetar a experiência daquele cuja visão é divina, espiritual.

Que aqueles que lutam contra quaisquer das exigências que a mente carnal apresenta aos filhos dos homens — seja pobreza, doença, pecado, infelicidade ou um ambiente hostil — ouçam a gloriosa verdade de que nada precisa ser mudado, exceto seu ponto de vista! Que eliminem os sentidos materiais para que os sentidos espirituais, “a verdadeira Luz que ilumina todo homem que vem ao mundo”, possam brilhar e revelar o bem sempre presente! Não nos esqueçamos de que cada experiência nossa, por mais estranha que nos pareça, está inteiramente dentro de nossa própria consciência, por mais relutantes que sejamos em admiti-la.

Se, por exemplo, alguém que parece estar sofrendo com um ambiente discordante aceitasse o fato (já demonstrado como verdadeiro na Ciência Cristã) de que o ambiente não é algo externo a si mesmo, mas sim inerente ao seu próprio pensamento, e cessasse suas queixas e críticas, e se dedicasse, com consagração e humildade, a alinhar seu pensamento aos fatos reais do ser, conforme ensinado em nosso livro didático, a condição real e perfeita lhe seria revelada; não um mundo de homens e mulheres materiais, condenando e sendo condenados, mas as ideias de Deus na Mente divina, amando e sendo amados.

Nossa Líder diz (Ciência e Saúde, p. 295): “Deus cria e governa o universo, incluindo o homem. O universo está repleto de ideias espirituais, que Ele desenvolve, e elas são obedientes à Mente que as cria.” Essa verdade absoluta, compreendida e fielmente seguida por um pensamento repleto de amor, inevitavelmente traria um ambiente correto, incluindo o senso correto de relacionamento, harmonioso e feliz. Assim se comprovam as palavras de Jesus: “Se, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso”.

Ao prosseguirmos nossa jornada, fiéis à nossa compreensão da perspectiva divina, vislumbrando a cada dia um pouco mais do Cristo que há em nós e ao nosso redor, que lembremo-nos de que esta é a demonstração prática de nos aproximarmos d’Ele, de conhecê-Lo, o Pai; pois não devemos conhecer este Pai, que é todo bondade, pela própria expressão dessa bondade — o reflexo da Vida, da Verdade e do Amor em Sua criação, o homem? Estejamos, portanto, atentos a essas manifestações em palavras, em ações e naquilo que Jesus chamou de “sinais”. Ao vê-los, reconheçamos de onde vêm, apreciemo-los e demos graças a Deus por eles, regozijando-nos por termos “visto o Pai”. Se falharmos nisso, como às vezes acontece, e clamarmos como Filipe na antiga presença de Cristo: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”, poderemos ouvir, como ele ouviu: “Há tanto tempo estou convosco, e ainda não me conheceis, Filipe? Quem me vê, vê o Pai; como, pois, dizes tu: Mostra-nos o Pai?”

Inglês-click