O Reino Interior
Do periódico Christian Science Sentinel de 6 de agosto de 1904, por K.
“Melhor é aquele que domina o seu espírito do que aquele que conquista uma cidade.” — Provérbios.
“A grande necessidade da existência é alcançar a verdadeira ideia do que constitui o reino dos céus no homem.” — Ciência e Saúde, p. 356.
Um olhar sobre o mundo atual revela um mar tempestuoso com muitos navios à beira do naufrágio. Em todos os lugares, os homens estão tão continuamente empenhados em obter bens materiais e poder que, como prontamente admitem, não conseguem encontrar tempo para a única conquista de verdadeiro valor: a do eu e a descoberta do reino interior. É certamente evidente que, não fosse por aqueles que mantêm acesa a sagrada luz da Verdade, os conflitos entre nações, classes e indivíduos logo levariam à escuridão total e à aniquilação da raça humana.
É praticamente consenso entre os pensadores que os ensinamentos de Jesus contêm a verdade essencial que poria fim a todas as contendas, não fosse a relutância da humanidade em se guiar por seus preceitos. Cada vez mais o mundo reconhece a beleza de seu caráter e ensinamentos, mas quase sempre com a ressalva de que, nas condições atuais, um é tão impossível de imitar quanto o outro de demonstrar. A maioria ignora completamente o fato de que ele apontou claramente o único meio pelo qual essas condições podem ser revertidas e o bem, e não o mal, pode ser visto como a realidade da existência.
Em meio a conflitos políticos e religiosos, Jesus anunciou a absolutismo do reino de Deus e fez a afirmação que permanece válida até os dias de hoje: ele não está “aqui” nem “lá”, mas dentro de nós. Para aqueles que ainda estão presos aos sentidos materiais e ao egoísmo, o reino interior — o reinado da harmonia divina — não existe. Um escritor renomado afirma, ironicamente, que sem a obediência genuína aos ensinamentos de Cristo, “nenhum dos que oram por ele (o reino de Deus) precisa temer minimamente a sua vinda”.
A Ciência Cristã ensina que as leis do reino de Deus são eternas em sua duração e universais em sua aplicação. Que essas leis eram conhecidas pelo Mestre foi comprovado por sua cura de doenças e pecados e pela ressurreição dos mortos. Aqueles que foram libertos por ele também foram ensinados a buscar o reino de Deus e a operação de suas leis “interiormente”. E, apesar de todas as negativas quanto à aplicabilidade desse ensinamento às condições atuais, “a lei do Espírito da vida” demonstra ser um poder suficientemente forte para anular a ação e a suposta autoridade da “lei do pecado e da morte”.
Nenhuma pessoa sensata negaria que todos deveriam controlar seus sentimentos e ações, mas a multidão de mortais doentes, pecadores e infelizes que se encontram por toda parte é a prova de que eles não sabem como fazê-lo. A Bíblia diz que Cristo deve “destruir todo domínio, toda autoridade e todo poder” e entregar “o reino a Deus, o Pai”, e é isso que Cristo, a Verdade, está fazendo por milhares hoje, através da compreensão científica de que o Princípio divino controla tanto o pensamento quanto a sua manifestação, e assim se estabelece o reino interior onde as discórdias da Terra jamais penetram.
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