Um Alicerce Seguro
Da ed. 8 de dezembro de 1917 do Christian Science Sentinel, por John B. Willis
Com que frequência o espírito de confiança tranquila se expressa nas referências do salmista a Deus como uma “rocha”, como o alicerce inabalável da fé, da segurança e da alegria! Em todas as exigências da tentação e da angústia, esse fato é sempre reconhecido como a única certeza, o refúgio eterno. Assim, o encontramos dizendo: “Somente em Deus espera a minha alma, pois dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação” [salmo 62:5]. Isso também nos lembra as palavras do Mestre a Pedro a respeito do reconhecimento de Cristo por aquele apóstolo: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.
Esse conceito bíblico do alicerce da fé foi lembrado recentemente por alguém enquanto contemplava o famoso Edifício Woolworth em Nova York. A imensidão de sua imponência imediatamente provocou admiração sobre como poderia ter sido concebido um alicerce capaz de sustentar uma estrutura tão enorme. Então, foi-lhe dito como um grande abismo fora escavado na terra, até que a imponente saliência, sobre cujos ombros nem mesmo o Himalaia se sustentaria, fosse descoberta, e que sobre ela fora construída uma grande subestrutura de aço e concreto, que se mantém livre mesmo sob uma carga tão enorme, porque o próprio planeta a sustenta.
Que o arquiteto foi sábio ao considerar assim os primórdios de tal empreendimento, é evidente, e esse procedimento de bom senso é particularmente sábio no que diz respeito à construção da fé cristã. A título de ênfase, Jesus contou a conhecida história do homem que, cavando fundo, lançou o alicerce de sua casa sobre a rocha, e nenhum ensinamento da Ciência Cristã é mais sensato e significativo do que sua insistência nesse caminho. O apelo supremo de Mary Baker Eddy à humanidade pode ser considerado como uma investigação profunda a respeito das verdades fundamentais do ser, a respeito da natureza de Deus e de Seu universo, e do homem.
A fé que a Ciência Cristã ergue na consciência humana demonstra-se estável e permanente, porque remove a ignorância e a tradição não verificada que a crença material deixou em praticamente todos os aspectos do “bom senso sólido”; e, tendo assim alcançado a rocha da verdade demonstrável, procede a erguer sobre ela um reflexo daquela construção de Deus que é “eterna nos céus”.
Quando alguém se depara com a sensação de uma grande tragédia mundial como a de hoje, quando a esperança é quase sufocada pelas ondas crescentes de crenças religiosas conflitantes, ou quando é chamado a vencer uma doença supostamente incurável, então os homens sentem a necessidade imperativa de um fundamento inabalável para o pensamento. Então, com o salmista, exclamam: “meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo. [S.84]” E, em tal momento, feliz é o Cientista Cristão que comprovou por si mesmo a presença e a disponibilidade daquela verdade eterna, cuja compreensão coroou Cristo Jesus “com a glória de um sucesso sublime, uma vitória eterna” (Ciência e Saúde, p. 45), mesmo em meio ao conflito mortal.
Antes que os caminhos do pensamento científico se tornem tão familiares ao Cientista Cristão a ponto de seus pés poderem segui-los mesmo na escuridão, e nas situações que ocasionalmente surgem quando se encontra com aqueles a quem os ensinamentos da Bíblia não atraem, por vezes nos deparamos com outros fundamentos para o pensamento. Por exemplo, a afirmação inicial da filosofia de Descartes, “Penso, logo existo”, não será questionada pelo homem ou mulher comum.
Agora, a grandeza do pensamento humano, as premissas e os processos lógicos pelos quais os homens são capazes de determinar a órbita de um cometa com período de cem anos, ou mapear com surpreendente exatidão a localização da sombra de um eclipse que ocorrerá daqui a meio século; O maravilhoso voo construtivo e profético da imaginação, que sugere a ordem de uma atividade e poder verdadeiramente criativos — toda essa maravilhosa conquista mental deve ser considerada um efeito e, pela lei universalmente honrada da razão suficiente, exige uma explicação adequada. Não há como escapar dessa exigência; mas quando alguém propõe uma explicação adequada para essas manifestações do pensamento, depara-se com aquilo que é insondável em sabedoria e poder.
Descobre o Deus do cristão, embora possa chamá-lo de incognoscível. Quando o cientista físico confessamente ateu reconhece a descoberta do absolutamente insondável e do infinitamente inteligente em todos os pontos do universo — e isso apesar de sua incredulidade —, certamente não está muito distante, se soubesse, da aceitação dos ensinamentos de Cristo Jesus e do ensinamento da Ciência Cristã de que “tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita” (Ciência e Saúde, p. 468).
Assim, para todos aqueles que são sensatos e dispostos a pensar, que não assumem uma atitude trivial e fantasiosa em relação a assuntos sérios, e que são receptivos aUma busca logicamente progressiva por uma interpretação satisfatória das experiências mentais — pois tal caminho ascendente pode ser encontrado nos pântanos mais profundos da descrença, nas mais obscuras confusões do mesmerismo mental. Seja qual for a sua concepção de “o último”, é praticamente impossível para qualquer homem decidir que a suprema inteligência que governa a natureza é malévola, e na medida em que se recusa a fazê-lo, pode acolher o ensinamento do Mestre de que Deus, o fundamento e a explicação de todo o ser real, é Amor; e em seus esforços para explicar essa coisa odiosa chamada mal, ele deve procurar em outro lugar que não na fonte do bem. Embora não seja considerado por muitos, é fácil perceber que não há e não pode haver escuridão na luz, erro na verdade e mal no bem, por mais que pareçam estar misturados na experiência humana, isto é, de acordo com as evidências materiais.
O diagnóstico preciso das condições mentais, a percepção correta do estado em que alguém se encontra, ou alguém que se encontra em determinado momento da experiência, e a sabedoria e o tato com que se aborda e satisfaz a mente humana vacilante, de modo a retirá-la do atoleiro em que se encontra — isso determina o desfecho feliz de muitas lutas e estabelece a vítima da vagueza mental ou da ilógica sobre um alicerce firme do qual seus pés não podem mais ser abalados. É assim que a verdade demonstrada, na consciência dos bons e sábios, pode se tornar uma rocha de refúgio em uma terra assolada pela tempestade; e assim, ministrar aos mentalmente aflitos é um dos grandes privilégios de todo verdadeiro Cientista Cristão.