Confiança
Extraído da edição de 13 de setembro de 1919 do Christian Science Sentinel, por Ella W. Hoag
Em “The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany” A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Miscelânea (p. 171), a Sra. Eddy nos apresenta o seguinte aforismo: “Confia na Verdade e não tenhas outras confianças”. Essa é uma declaração tão simples, tão direta e tão abrangente em suas exigências que, se for obedecida, trará o reino dos céus à terra — o governo perfeito de Deus — e, assim, banirá todas as dificuldades do mundo. Todos os nossos medos, todas as nossas dúvidas, todas as nossas decepções e desânimos decorrem da falta de fé na Verdade. Confiar na Verdade, excluindo qualquer outra forma de dependência, significa repousar absolutamente na certeza do poder governante supremo de Deus, o bem, independentemente das aparências.
Não há lugar nem circunstância em que essa fé completa e abrangente na Verdade não atue para eliminar qualquer poder aparentemente contrário. Estamos sempre confiando em algo que reconhecemos como poder. Se o erro parece governar nossos assuntos, é devido à nossa crença nele como um poder. Portanto, o remédio é aprender a compreender a Verdade.
Na Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras (p. 286), a Sra. Eddy diz: “A compreensão da Verdade confere plena fé na Verdade, e a compreensão espiritual é melhor do que todos os sacrifícios religiosos”. Assim, se alguém deseja progredir na compreensão da Ciência da Vida, deve buscar a Verdade de todo o coração. É vontade de Deus para todos que conheçam a Verdade. Essa não é apenas a Sua vontade; na Ciência Cristã, Ele revelou a Verdade a esta época de maneira tão clara que não há desculpa para aqueles que não se valem de seu poder maravilhoso.
A dificuldade reside no fato de que a mente humana prefere seus sacrifícios religiosos. Ela prefere seguir aos tropeços, apegada às suas crenças na matéria e depositando seus sacrifícios no altar do erro, pois sempre existe o argumento de que esse é o caminho mais fácil. Ela invariavelmente insiste que é mais fácil ceder ao erro do que resistir a ele com a verdade. Assim, os incautos são induzidos a percorrer um longo caminho que inevitavelmente terá de ser refeito, pois cada passo na direção errada implica um número igual de passos de volta. Por outro lado, cada esforço para seguir a Verdade é um ponto ganho na trajetória de vencer o mal com o bem. Mesmo a menor tentativa de confiar na Verdade será um passo na direção certa, pois todos nós devemos dar o primeiro passo antes que o segundo seja possível. Nem sempre encontramos resultados perfeitos de imediato, mas o esforço persistente para manter nossa fé na Verdade, sob quaisquer circunstâncias, acabará por conquistar a vitória da confiança perfeita.
Quando alguém adquire mesmo que um pequeno conhecimento da Verdade, passa imediatamente a ter um grau equivalente de fé nela e, portanto, começa a confiar nela e a utilizá-la. Ora, é a Verdade que age, que opera, que realiza. É sempre a Verdade, e somente ela, a luz que revela até a menor alegação de erro e demonstra sua irrealidade. Seria tão insensato entrar numa caverna sem lâmpada e tentar limpar as coisas ocultas nas trevas quanto esperar purificar a consciência humana de suas crenças malignas sem a luz da Verdade. É a Verdade que nega o erro.
É precisamente aqui que o Cientista Cristão deve estar alerta para não se deixar levar por um estado de pensamento negativo, que perde de vista a Verdade. Em *Ciência e Saúde* (p. 418), lemos: “A Verdade é afirmativa e confere harmonia. Toda lógica metafísica é inspirada por essa regra simples da Verdade, que governa toda a realidade. Pelos argumentos verdadeiros que você emprega, e especialmente pelo espírito de Verdade e Amor que você cultiva, você curará os doentes.”
A natureza hipotética do erro, porém, parece insistir constantemente em afirmar-se como uma entidade. Esse esforço é favorecido quando o erro é mantido continuamente no pensamento por meio da negação. Se uma verdade fosse conhecida em relação à matemática, compreender-se-ia que essa verdade revelaria todos os equívocos a ela referentes — e não haveria necessidade de investigar quantos desses equívocos poderiam surgir. Apegando-se à verdade, qualquer erro seria revelado e rejeitado assim que aparecesse. Assim, na prática da Ciência Cristã, ocupamo-nos com o erro apenas na medida necessária para expulsá-lo com a verdade; Em outras palavras, devemos confiar na Verdade e não depositar fé no erro — devemos eliminar o erro sempre que ele pretenda surgir, e nós o eliminamos ao conhecer a verdade. Assim, a Verdade é, de fato, “afirmativa”, e confiar na Verdade significa afirmar a verdade em todos os momentos e sob quaisquer circunstâncias. Essa afirmação é mais do que a repetição de palavras; é viver no espírito da Verdade — é “não ter outras verdades”.
Outra tendência da suposta mente mortal é querer sustentar os altares de Deus, o que sempre implica uma insensata falta de confiança na Verdade. No lar, na igreja ou nos negócios, existe o perigo de tentar assumir toda a responsabilidade sobre os próprios ombros, esquecendo-se de que a Verdade está sempre presente para governar. Todos os assuntos justos são assuntos da Verdade, e a Verdade certamente sabe como exercer o controle em cada detalhe de maneira adequada.
Quanta alegria e liberdade deve sentir o Cientista Cristão que percebe poder dedicar cada pensamento, cada palavra e cada ação sua à edificação da causa da Verdade no mundo, ao resolver seus próprios problemas — ao cumprir suas próprias tarefas — em obediência modesta e despretensiosa à Verdade; em outras palavras, que sua única necessidade é “confiar na Verdade e não depositar confiança em mais nada”.