A Única Coisa Necessária
Extraído da edição de 7 de dezembro de 1912 do Christian Science Sentinel. por Clarence W. Chadwick
A maior necessidade da humanidade é conhecer a Deus. “Aproximar-se de Deus” não é apenas um dever cristão; é uma necessidade primordial. O conselho de Jó — “Familiariza-te com ele e tem paz” — estabelece a tônica da salvação individual e universal. O conhecimento, ou a compreensão espiritual, de Deus é o único passaporte para o céu. A crença cega não abre os portais celestiais. A humanidade precisa familiarizar-se com o Doador de todo o bem, se quiser ser a feliz receptora de Sua graça e de Sua abundância. Deus não conhece estranhos. Apenas aqueles que obedecem à Sua vontade são conhecidos por Ele. A esse respeito, nossa estimada Líder afirma: “A única garantia de obediência é a compreensão correta dAquele a quem conhecer corretamente é a Vida eterna” (*Ciência e Saúde*, Prefácio, p. vii). O pecado é excluído de Sua presença assim como as trevas o são na presença da luz. Como, então — indaga o sentido mortal —, pode o pecador ser salvo, se Deus tem consciência apenas do bem?
A Ciência Cristã soluciona esse aparente enigma dos sentidos ao familiarizar a humanidade com Deus. A compreensão verdadeira, ou espiritual, de Deus desmascara e revela a natureza mítica daquilo que o mundo chama de pecado ou mal. É então que o chamado pecador começa a despertar de seu sonho de suposta vida ou existência na matéria; em outras palavras, ele começa a “despojar-se do velho homem” e a “revestir-se do novo homem”. Isso significa a purificação daquele estado errôneo de consciência que se autodenomina homem ou mulher mortal. Significa a extirpação de todo pensamento ou crença no pecado, mas não a perda de qualquer indivíduo — homem, mulher ou criança.
A mortalidade é, assim, deixada de lado, e a imortalidade — que é a única que preserva intacta toda individualidade, da menor à maior — é assumida. A suposição errônea de que uma única individualidade possa ser absorvida pelo infinito ou nele se perder negaria a unidade eterna entre Deus e o homem. Se a individualidade pudesse perder-se, não existiria o estado chamado céu ou harmonia. A Ciência Cristã traz à luz a verdadeira individualidade do homem ao purificar e elevar o sentido de ser da humanidade. O que o mundo chama de personalidade é uma consciência falsa ou temporal tanto do bem quanto do mal. Isso não deve ser salvo, mas sim substituído pela verdadeira individualidade do homem, a qual reflete sempre apenas a consciência do bem.
Nenhum espírito arrogante de indiferença ignorante para com a ideia espiritual conduzirá a humanidade ao reino dos céus. A voz do Cristo fala de modo igualmente imperativo nos dias e na geração de hoje: “Sem mim nada podeis fazer.” William Penn, ao comentar sobre a vida humana, deixou esta reflexão: “É admirável considerar quantos milhões de pessoas entram e saem do mundo ignorantes de si mesmas e do mundo em que viveram.” E a Ciência Cristã acrescenta: Mas o fim ainda não chegou; pois esse entrar e sair não passa da imagem de um sonho, e o sonho não se dissipa — nem aqui nem no além — até que a humanidade se volte de si mesma para Deus, por meio de um reconhecimento inteligente do Cristo, a Verdade, como o Salvador do mundo.
O grande erro da humanidade reside na tentativa de conhecer e realizar algo por meio do sentido físico ou da força de vontade. Mais cedo ou mais tarde, através de árduo sofrimento da mente e do corpo, os homens abandonam a crença num poder temporal e voltam-se da física para a metafísica. Então, começam a familiarizar-se com Deus. Enquanto se apegavam ao sentido físico ou à força de vontade humana, eram como aqueles que “não têm esperança e estão sem Deus no mundo”. Lutavam contra o medo, o pecado, a pobreza, a doença e a limitação, ao mesmo tempo que ignoravam ou resistiam abertamente à verdadeira ideia de Deus. Labutavam nas trevas da crença humana, sem realizar nada que valesse a pena. Trabalhavam incansavelmente “pela comida que perece”, pelo acúmulo de riquezas terrenas e pela gratificação egoísta dos sentidos. Com razão se disse que “a maioria das pessoas passa tanto tempo ganhando a vida que não tem tempo para viver”.
A corrida frenética em busca de riqueza material, fama e poder deixa pouco tempo para a contemplação das coisas espirituais e eternas. A matéria é colocada em primeiro lugar no pensamento, na palavra e na ação. O mortal que acumula posses terrenas é considerado próspero e bem-sucedido, independentemente de sua atitude para com Deus ou de quão pouco tempo tenha dedicado às coisas espirituais. Assim, inverte-se a ordem do Cristianismo, e o ensinamento do grande Guia é deixado de lado por ser considerado impraticável e carente de bom senso.
A Ciência Cristã discorda dessa interpretação popular do ensinamento do Mestre e passa imediatamente a enfatizar o significado prático de sua ordem: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Toda a estrutura da cura, da reforma e da regeneração cristãs baseia-se na compreensão correta desse mandamento espiritual. A cura da doença e do pecado, por meio do poder de Cristo, a Verdade, torna-se uma necessidade divina e uma atividade natural na experiência humana quando se compreende esse fato; pois, ao buscar a Deus em primeiro lugar, vivencia-se aquela espontaneidade de pensamento que revela o reino dos céus na Terra e desperta o indivíduo para o fato de que Deus é a sua necessidade primordial e única.
O primeiro grande mandamento certamente atesta essa verdade. Tornar Deus secundário é transgredir esse mandamento. Reconhecer qualquer outro poder, fonte ou atividade é transgredi-lo. Acumular riquezas materiais em detrimento do crescimento e desenvolvimento espiritual é transgredi-lo e, aos olhos de Deus, constitui fracasso, não sucesso. Isso é vividamente ilustrado na parábola de Jesus sobre o homem rico que pretendia demolir seus celeiros e construir outros maiores para armazenar a abundância de seus frutos e bens, e que assim raciocinava consigo mesmo: “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e alegra-te”. Mas Deus lhe disse: “Insensato, esta noite te pedirão a alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si mesmo ajunta tesouros, mas não é rico para com Deus”.
O sentido humano aponta para mil e uma coisas diferentes, consideradas absolutamente essenciais à sua saúde e felicidade, e recorre a todos os meios imagináveis para adquiri-las; — exceto ao correto —quando, na realidade, apenas uma coisa é necessária: conhecer a Deus, o Criador e Proprietário de todas as coisas. A promessa de que “todas essas coisas serão acrescentadas” — como resultado direto de buscar, primeiramente, conhecer a Deus — é algo que deveria receber atenção mais séria por parte de todos os que se professam cristãos. A Ciência Cristã convoca insistentemente toda a humanidade a deixar de trabalhar “pela comida que perece” e a compreender o significado espiritual dos ensinamentos do Mestre, que dão precedência ao Espírito, ou Mente. Toda aspiração santa, todo afastamento da materialidade, é um passo em direção ao reino dos céus na Terra. Esse reino celestial jamais será alcançado enquanto não se tornar algo transcendente na consciência da humanidade.
Para aqueles que buscam, antes de tudo, cercar-se de coisas materiais, o reino da realidade espiritual parece apenas uma vaga incerteza futura. Para aqueles que buscam, primeiramente, estar em harmonia com Deus e vê-Lo como a Essência e a Substância do ser, o reino celestial é uma realidade presente, e o homem, já um habitante permanente dele. Não há nada de transcendental neste ensinamento, como os resultados comprovam. Quanto mais alguém se aproxima do bem onipotente e onipresente, maior é a sua capacidade de expressar o bem e de rejeitar o mal. O conhecimento do mal jamais tornou alguém uma pessoa prática ou útil. O conhecimento ou a compreensão do bem é absolutamente essencial para a realização de tudo o que é digno de ser alcançado pelo ser humano. A mais elevada realização humana, sem Deus, não passa de uma imitação passageira da realidade. Daí a conclusão de que trabalhar sem Deus é construir sobre a areia. Não restará pedra sobre pedra naquela estrutura em que Deus não tenha sido reconhecido como o construtor e o artífice.
O objetivo primordial da Ciência Cristã é revelar à humanidade a verdadeira e única abordagem metafísica do Deus que é Espírito infinito, para que as pessoas possam aproximar-se de Deus a ponto de torná-Lo a prioridade absoluta em seu pensamento, palavra e ação. Enquanto essa busca e o consequente encontro do verdadeiro caminho não se concretizarem, a consciência humana permanece morta e sepultada em ofensas e pecados, por mais relutante que seja em admitir tal fato. Todo conceito humano prezado deve ser espiritualizado antes que Deus se torne o Alfa e o Ômega de todo empreendimento humano.