Ciência Cristã e o Caráter Cristão |

Ciência Cristã e o Caráter Cristão

por Blanche Hersey Hogue


Quando Jesus disse: “Sede vós, pois, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai que está nos céus”, ele não acrescentou: “na medida em que o vosso temperamento humano o permitir”.

Se alguém está convencido de que herdou certos traços ou possui certas tendências, pode ser difícil alcançar a perfeição de um caráter semelhante ao de Cristo de uma só vez. Mas essa pessoa pode se concentrar em uma linha de pensamento e conduta reprovável e decidir parar de se entregar a ela!

Um pensamento errado contido, ou uma ação errada refreada, inicia o processo de reforma; e quando resistimos a uma forma de mal, encontramos maior força para resistir a todas as formas de mal. Para trilhar o caminho da cristandade, devemos observar atentamente, detectar honestamente e rejeitar fielmente as inclinações do impulso e da vontade humanos, com a determinação de não nos contentarmos com nada menos que a perfeição.

A mente humana resiste ao mandamento de Jesus para sermos perfeitos, alegando que não é possível à natureza humana, por mais frágil que seja, alcançar a perfeição. Mas não se pede à natureza humana que se torne perfeita; Em vez disso, deve ser superado e descartado. Assim como a escuridão nunca se transforma em luz, mas desaparece com o amanhecer; assim como o caos nunca se torna ordem, mas desaparece assim que a ordem começa a surgir; da mesma forma, o que é imperfeito não se desenvolve em perfeição, mas deve se dissipar do pensamento e da ação proporcionalmente à medida que a perfeição aparece.

O que chamamos de temperamento humano não é uma herança tão permanente quanto parece. Na melhor das hipóteses, é um conjunto de características composta pela ação reflexa do hábito, do impulso, da vontade e da emoção, e, portanto, passível de ser eliminado. O verdadeiro caráter, porém, é aquela força de caráter que resiste a todo o mal.

A Ciência Cristã declara que a bênção de Deus não está retida para um tempo futuro, mas será experimentada assim que o homem rejeitar aquilo que o impede de recebê-la. A verdadeira vida cristã é o caminho do sacrifício, mas Deus requer apenas o sacrifício de pensamentos e ações falsos, limitados e ímpios. Então, após esse sacrifício, encontramos maior liberdade e bênçãos. Essa alegria é conhecida apenas pelo coração que obedece e traz uma paz que o mundo não pode dar nem tirar. O que o mundo dá, ele tira; mas, como essa alegria não é dada pelo mundo, o mundo não pode tirá-la.

Diz-se que “a extrema necessidade do homem é a oportunidade de Deus”. Mary Baker Eddy escreve: “Colhemos frutos espirituais de nossas próprias perdas materiais”. (Ret.) Um vislumbre da luz divina apaga a lembrança de muitos sacrifícios, e o caminho tortuoso da inclinação egoísta, tão difícil de abandonar a princípio, é finalmente reconhecido como um caminho que leva apenas à decepção e à dor.

A alegria no sacrifício não é um tema novo. Os grandes profetas, poetas e mestres religiosos do mundo sempre enfatizaram sua presença nos assuntos humanos. O livro Ciência e Saúde destrói a suposta atração do mal, removendo, em grande medida, a força da tentação e a tenacidade de seu domínio. Não é possível que alguém que estude o livro-texto da Ciência Cristã e, que aprenda a amar o espírito de pureza e verdade que permeia seus ensinamentos, encontre satisfação contínua nas muitas coisas que o mundo justifica. Quando o prazer em praticar o mal desaparece, torna-se muito mais fácil buscar um caminho mais elevado e melhor.

O verdadeiro caráter não surge pelo cultivo da disposição pessoal, nem pelo aprimoramento do temperamento humano, mas sim porque a Mente do Cristo dissolve a mentalidade humana que a obstrui, revelando a imagem e semelhança de Deus, sem pecado e sem altruísmo —

o homem perfeito.

Na obra de vida de Mary Baker Eddy, por meio de seu trabalho paciente e inabalável pelo bem da humanidade, vemos esse desdobramento científico do caráter cristão em exemplos e preceitos, e vemos também o poderoso efeito que a mensagem da Ciência Cristã exerce sobre esse desdobramento. Os próprios céus se abrem por meio de suas promessas, pois esse caminho de transformação trará não apenas a libertação do pecado, mas também a fuga final de toda forma de doença e sofrimento. Nessa obra de transformação, aprendemos a ser gratos, não apenas pelas bênçãos diárias, mas também pelas provações da fé e testes de força moral que, quando enfrentados corretamente, levam à descoberta de bênçãos ilimitadas!

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