Quem Permanecerá firme? |

Quem Permanecerá firme?

Do número de 27 de setembro de 1913 do Christian Science Sentinel, por Annie M. Knott


Diz-se que o Salmo 24 foi escrito para celebrar a entrada triunfal de Davi e seus seguidores em Jerusalém, o último reduto dos jebuseus a ser abandonado. Parece que sua cidadela ficava no monte Sião e, como eles não eram apenas uma tribo guerreira, mas também mais desenvolvidos intelectualmente do que qualquer outro habitante de Canaã, a conquista desta cidade foi, em certo sentido, o evento culminante da trajetória de Davi. Este salmo começa com a declaração de que “a terra é do Senhor e tudo o que nela existe”; mas sabemos que toda Canaã havia sido ocupada por aqueles que não conheciam a Deus nem obedeciam às Suas leis, por pessoas cujos conceitos de Deus e do homem eram grosseiramente materialistas, portanto cruéis e opressivos. Era, portanto, missão de Israel estabelecer a verdadeira religião que abençoaria toda a humanidade.

Os israelitas foram ensinados que somente praticando o que era certo conquistariam a terra prometida; que seus inimigos seriam expulsos diante deles como as trevas fogem da luz, e encontramos em Êxodo este mandamento: “Servireis ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu afastarei do meio de vós as enfermidades”. É muito evidente que os israelitas, em grande medida, possuíam uma concepção mais pura de Deus e do homem do que aqueles ao seu redor, e que foram influenciados por ela; mas a exigência era de uma obediência mais plena à lei divina, para que vitórias maiores fossem conquistadas e o reino de Deus, com tudo o que isso implica, fosse universalmente estabelecido. Chegamos, assim, a uma pergunta que deveria significar muito para o estudante da Ciência Cristã: “Quem subirá ao monte do Senhor? Ou quem estará no seu lugar santo?” A resposta é: “Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro” — esse é apto a receber a bênção, a saber, “a justiça do Deus da sua salvação”.

No Salmo 15, a pergunta é feita: “Quem habitará no teu tabernáculo?” e a resposta começa: “Aquele que anda retamente, pratica a justiça e fala a verdade no seu coração”. Tal pessoa está pronta para avançar contra os inimigos mais temíveis e desafiar, em nome da Mente onipotente, todas as suas reivindicações arrogantes, porém infundadas, de posição e poder. À luz da Ciência Cristã, não pensamos mais em expulsar pessoas ou povos, mas sim as crenças arraigadas de vida, substância e inteligência separadas de Deus, que por longos séculos pareceram dominar a raça humana e decidir as questões da vida e da morte, alegando governar os homens por meio de leis materiais, enquanto ignoram completamente o espiritual.

Para desafiar essas crenças que falsamente reivindicam autoridade, devemos “ascender ao monte do Senhor” ou, como Mary Baker Eddy tão bem expressa, “elevar-nos na força do Espírito para resistir a tudo o que é contrário ao bem” Ciência e Saúde, p. 393. O próximo passo é “permanecer” no lugar sagrado do Espírito, até que o poder e a majestade da Verdade divina sejam plenamente reconhecidos. Tudo o que parecer impedir nossa entrada cederá à declaração espiritual daquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que se recusa a admitir por um instante que qualquer outro além do “Rei da glória” seja forte ou poderoso.

Às vezes parece estranho que as eras tenham esperado tanto tempo pela pureza e força espiritual que, sozinhas, podem ascender acima da terra e da mundanidade e permanecer no lugar sagrado, seguros e protegidos, especialmente porque Cristo Jesus, “o precursor”, nos precedeu e tornou o caminho tão claro. Mas a Ciência Cristã veio agora para restaurar seus ensinamentos em seu poder original e para mostrar que seu seguidor mais humilde, que aceita a verdade, pode, sim, deve, deixar para trás a crença estéril no “arrependimento de obras mortas” e prosseguir rumo à perfeição. Certa vez, um jovem estudante da Ciência Cristã foi chamado para curar alguém que, ao que sentia, estava muito doente e cujo medo intenso parecia impedir a aproximação aos pensamentos do paciente. Então, ao estudante, chegaram as palavras majestosas do salmista: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; […] e entrará o Rei da glória”. Mais de uma vez esse pedido foi repetido, e os portões há muito fechados da consciência humana se abriram para deixar entrar a ideia divina de que sempre vem, como Cristo Jesus, com vida em abundância, e a doença rapidamente deu lugar à saúde e à harmonia. Quem não gostaria de permanecer para sempre neste lugar sagrado?

link em Inglês