Dissipada a “Sombra do Egito” |

Dissipada a “Sombra do Egito”

Da Ed. de abril de 1924 do Christian Science Journal

Anne Cleveland Cheney


Alega-se que em nenhum momento da história da humanidade a Bíblia foi tão amplamente lida como nos últimos anos. Centenas de milhares de exemplares são vendidos anualmente em todo o mundo — uma prova, acredita-se, de que o número de estudiosos dedicados da Bíblia está aumentando constantemente. Esse fato, porém, por mais bem-vindo que seja, não contribuiria para a grande melhoria necessária na desastrosa ordem mundial, ou a falta dela, se não estivesse ocorrendo uma mudança fundamental na interpretação há muito aceita das escrituras sagradas. Bibliotecas repletas de comentários, sermões e obras semelhantes atestam o estudo erudito e consagrado da Bíblia ao longo dos séculos. Simplesmente aumentar esse número não traria “o reino de nosso Deus e o poder de seu Cristo”.

Às vezes, os Cientistas Cristãos são acusados de serem leitores assíduos, mas não estudiosos da Bíblia. Eles refutam essa afirmação no sentido em que eles o fazem; e comprovam sua refutação em outro sentido. O verdadeiro Cientista Cristão interpreta o termo “estudante” como “discípulo; um aprendiz, especialmente um seguidor que aprendeu a crer na verdade de seu mestre”. Ele se tornou um seguidor que crê nesse mestre, a Palavra divina, por tê-la utilizado em todas as circunstâncias e condições em que se encontrou. Ele sabe que isso foi possibilitado pela descoberta da Ciência Cristã, que inclui a interpretação espiritual da Bíblia, a interpretação dada por Cristo Jesus às Escrituras existentes em seu tempo — a Ciência absoluta que ele não apenas ensinou, mas demonstrou por meio de suas poderosas obras. O Cientista Cristão sabe que essa descoberta foi feita por uma mulher espiritualmente preparada para a revelação da Verdade, que, após essa profunda experiência, seguiu os passos de seu Mestre e comprovou cientificamente suas afirmações a respeito da interpretação espiritual da Bíblia, realizando muitas das obras que ele realizou e da mesma forma que ele as realizou.

Tendo demonstrado, conforme exige a Ciência Cristã, o princípio divino e a lógica de sua descoberta, bem como seu poder de produzir resultados, Mary Baker Eddy apresentou ao mundo uma declaração clara e completa em um livro didático, hoje lido em todos os países civilizados e destinado a ser “para a cura das nações”. Este livro, “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”, seus alunos agradecidos sabem ser diferente de qualquer comentário bíblico já escrito, pois cumpre as Escrituras e está trazendo — para usar a tradução de Wycliffe — “Ciência e Saúde” às pessoas.

Tempo e espaço desaparecem nesta interpretação espiritual e científica. Passado, presente e futuro se unem, revelando a unidade e a continuidade do propósito e plano divino e eterno. O Primeiro Mandamento, prenunciado em Gênesis e plenamente cumprido por Cristo Jesus, é novamente prenunciado no Apocalipse e encontra cumprimento na Ciência Cristã. Os filhos de Israel ainda peregrinam pelo deserto sob a liderança de um grande líder, nesta época uma mulher, que clama, como Moisés: “Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor”. A “sombra do Egito” ainda os assola; os rebeldes ainda buscam a “força de Faraó”, assim como quando Isaías advertiu: “Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; que se cobrem com véu, mas não com o meu Espírito, para acrescentarem pecado a pecado; que descem ao Egito sem consultar a minha boca, para se fortalecerem na força de Faraó e confiarem na sombra do Egito! Portanto, a força de Faraó será a vossa vergonha, e a confiança na sombra do Egito, a vossa confusão”.

O que é a “sombra do Egito”? O Cientista Cristão sabe que nenhum comentário, por mais erudito ou devoto que seja, nenhum estudante da Bíblia, por mais fiel que seja, jamais a esclareceu até que a interpretação espiritual da Bíblia feita por Mary Baker Eddy a esclareceu. Ao descobrir a Ciência Cristã, ela, na verdade, redescobriu o Primeiro Mandamento e o modo de cumpri-lo. Ela sabia que Deus era Espírito, Mente; e, como só existe um Deus, razão e revelação se encontraram nesta conclusão: “Tudo deve ser Mente e ideias da Mente; visto que, segundo a ciência natural, Deus, Espírito, não poderia mudar de espécie e evoluir a matéria” (Escritos Diversos, p. 23).

O que, então, acontece com a matéria? Um pouco mais adiante, na página 26, ela diz: “A história natural mostra que nem um gênero nem uma espécie produzem seu oposto. Deus é Tudo em tudo. O que pode ser mais do que Tudo? Nada: e é exatamente isso que eu chamo de matéria, nada”.

A chamada matéria é a “sombra do Egito” e a “força do Faraó”. Quão surpreendente para uma civilização que se considerava cristã, ouvir de uma mulher destemida, que eles estavam mergulhados em idolatria, quebrando o Primeiro Mandamento a cada passo, seguindo deuses estranhos. Assim como aqueles que oraram a Baal ou ergueram o bezerro de ouro em desafio a Moisés! Quão surpreendente para uma civilização que se vangloria de ser científica ouvir que eles ainda se baseiam na mitologia e superstição; que a “sombra do Egito”, que obscureceu e atrasou o avanço de Israel há mais de dois mil anos, era a crença na existência de vida na matéria — uma ilusão, miragem, sombra, cientificamente comprovada como irreal; que, apesar de suas invenções e do chamado progresso, confiar nela dá apenas confusão; e buscar força no “Faraó”, nos métodos materiais, levou apenas à vergonha, guerra, pestilência e morte!

Muito do que a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy, disse ao mundo há mais de cinquenta anos por meio de sua interpretação espiritual da Bíblia, está sendo rapidamente comprovado. Hoje, cientistas naturais declaram que não há tempo nem espaço; explicam a matéria de forma ineficaz; admitem, em muitos casos profundamente significativos, a impotência da “força do Faraó”. Métodos materiais estão sendo testados em uma escala maior do que nunca, e considerados insuficientes; a morte está sendo questionada por todos os lados; e aqueles que buscam a solução para seus problemas em “espíritos familiares” estão apenas depositando sua confiança ainda na “sombra do Egito”. A tudo isso, a Ciência divina devolve a única pergunta intransigente e perspicaz: “Não deveria um povo buscar a Deus?” Pois, como declara Mary Baker Eddy em Ciência e Saúde (p. 17), “Deus é infinito, todo-poderoso, toda-Vida, Verdade, Amor, sobre tudo e em Tudo”.

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