Graça
Do Christian Science Sentinel, 30 de agosto de 1919, por Anna I. Mc Allister
Uma das qualidades de Deus mencionadas na interpretação espiritual da Oração do Senhor, encontrada na página 17 de “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”, é a graça. “Concede-nos graça para hoje; alimenta as afeições famintas.” Este belo pensamento é expresso novamente nestas palavras de um de nossos hinos (Hinário, p. 160):
Espírito gracioso, habita em mim;
Eu mesmo sou gracioso.
Às vezes, por causa de uma atitude de pensamento equivocada em nossas relações com outros seres humanos, inclinamo-nos tanto na direção oposta à graça que manifestamos qualidades totalmente distintas do Amor divino, que é sempre gracioso. No pensamento do homem Jesus, cuja semelhança com Deus atraía multidões aonde quer que fosse, não poderia haver frieza, descortesia ou indiferença. As pessoas devem ter sido influenciadas inconscientemente pelo interesse altruísta e pelo amor ilimitado que ele irradiava constantemente. O mesmo deve ter acontecido com Mary Baker Eddy, que era tão pura que lhe foi confiada a revelação da Verdade para esta era. Contemplar as qualidades divinas daqueles que aprendemos a amar por sua bondade nos ajudará a crescer na graça.
Na página 258 de Ciência e Saúde, somos afirmados categoricamente que “não sabemos mais do homem como verdadeira imagem e semelhança divina do que sabemos de Deus”. A mesma verdade é expressa de outra forma por João: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. Apreciar e amar as qualidades espirituais onde quer que se expressem no homem e no universo é verdadeiramente amar a Deus. Reconhecer como reais apenas as qualidades que identificam Aquele que é totalmente amável é ver o homem à imagem e semelhança de Deus e, assim, ver a insignificância do mal, o que resulta na destruição do mal, seja qual for o nome que lhe seja dado. A compreensão que separa a expressão das qualidades de Deus dos sentidos materiais impede o falso orgulho, o egoísmo ou a presunção. Quanto mais elevadas as nossas conquistas, mais humildes devemos nos tornar, sabendo que Deus é a causa e o criador de toda ideia; que quando amamos o reflexo de Deus, é realmente Deus manifestado que é amado, embora o mundo incrédulo queira fazer deuses de homens mortais.
Em um esforço para expressar amor imparcial à humanidade e possuir essa qualidade divina, a graça, devemos nos precaver muito contra motivações errôneas. Se praticamos atos de caridade e proferimos discursos eloquentes com o desejo de sermos amados pelas pessoas, a decepção será o resultado. O amor, embora sempre gracioso, é firme, sincero e justo, a ponto de rejeitar todo erro onde quer que o encontre. Quando a ação é motivada pelo amor, ela só pode promover o bem.
A graça divina é atratividade, encanto. Aprendemos em Ciência e Saúde (p. 102): “Há apenas uma atração verdadeira, a do Espírito.” A maioria dos Cientistas Cristãos aprendeu essa lição — pelo menos em parte. Eles sabem que se deixar atrair pela sedução de qualquer materialidade, afastando-se da vida espiritual, trará sofrimento suficiente para torná-los dispostos a abandonar os prazeres ilusórios e retornar à busca da alegria espiritual. Isso não significa que seremos chamados a renunciar a algo realmente desejável, pois “nenhum bem ele negará aos que andam retamente”. Ao excluirmos, com compreensão, pensamentos egoístas e sensuais, que geram medo, ciúme, inveja, malícia e luxúria, aprendemos a estender pensamentos amorosos a toda a humanidade. Esse é o encanto, a graça, que abençoará todos os homens por sua expressão.
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