O que é a Verdade?
pelo Rev. G. A. Kratzer
Para responder à famosa pergunta de Pilatos: “O que é a verdade?”, precisamos reconhecer a diferença entre o que parece ser verdade e o que realmente é. Jesus demonstrou essa necessidade quando disse: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Os sentidos materiais julgam as aparências, mas somente o discernimento espiritual julga o que é verdadeiro.
As aparências mudam, mas Deus e Suas obras nunca mudam. “Eu sou o Senhor, Eu não mudo.” “As obras estavam consumadas desde a fundação do mundo.” O que parece aos sentidos físicos não é a verdade. A verdade é uma declaração das realidades eternas do ser; não é uma coisa hoje e outra amanhã.
Se um estudante acredita que três vezes quatro é igual a quinze, esse erro em seu pensamento pode ser superado e destruído pela verdade de que três vezes quatro é igual a doze. A verdade pode ter que ser afirmada e ilustrada muitas vezes, mas, no fim, o menino abandona o erro e o esquece. “Três vezes quatro é igual a quinze” nunca teve sequer a aparência de realidade, exceto no sentido falso do menino; e quando a verdade o destrói ali, ele não tem sequer a aparência de realidade em lugar nenhum.
Da mesma forma, a verdade é usada para corrigir e destruir o erro, o pecado ou a doença no pensamento da humanidade. Às vezes, a verdade precisa ser ilustrada, compreendida e afirmada muitas vezes para destruir o erro; mas, mais cedo ou mais tarde, isso acontece. Então, o erro do pecado ou da doença desaparece do pensamento e, gradualmente, da memória, e não tem mais nem mesmo a aparência de realidade. A Ciência Cristã concorda com Paulo: “As coisas que se veem são temporais; mas as que se não veem são eternas.”
No pensamento comum, a aparência das coisas é considerada a verdade. Mas a Ciência Cristã ensina que, se as aparências são diferentes da natureza divina, Deus não as criou, e elas não são verdadeiras nem reais. A verdade eterna de Deus, mantida clara e fortemente na consciência, é a única coisa que pode curar a doença e o pecado.
Jesus disse à mulher no poço que “Deus é Espírito”, e João declara que “Deus é Amor”. Um Deus que é Espírito criaria necessariamente um universo semelhante a si mesmo; isto é, espiritual e não material. O Espírito não poderia criar seu oposto, a matéria, assim como a luz não poderia criar as trevas. Um Deus que é Amor criaria necessariamente um universo bom e harmonioso em todas as suas partes. O Amor, o bem, não poderia criar seu oposto, o mal. Um Deus que é Amor não poderia criar o pecado, a doença, a morte, o ódio, a inveja, a vingança ou qualquer tipo de discórdia. Portanto, podemos sempre nos posicionar com base na Verdade divina e negar qualquer forma de pecado, doença ou desarmonia mental. Esse conhecimento da Verdade e a negação do erro destruirão, de acordo com a clareza e a intensidade de nossa compreensão, toda condição discordante.
Também é importante lembrar que não existe um tipo de existência que seja verdadeira ou real e outro que seja falso ou irreal. Existe apenas um tipo de existência: Deus, o Espírito e Sua criação espiritual. As pessoas falam do universo espiritual e do universo material como se fossem dois, diferentes e separados. No entanto, existe apenas um universo, que é espiritual.
Paulo diz: “Agora vemos como por espelho, obscuramente; mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.” Ele resume toda a questão quando nos exorta a não nos conformarmos com este mundo (a evidência dos sentidos físicos), mas a sermos transformados pela renovação da mente (aceitar e assimilar a verdade metafísica ou espiritual em vez do testemunho dos sentidos), para que possamos provar (destruindo o pecado e curando a doença) qual é a perfeita e aceitável vontade de Deus.
O fato é que o testemunho sensorial quanto à doença e ao pecado pode ser negado, e seu aparente poder anulado pela aceitação da verdade como ensinada na Ciência Cristã. Jesus disse: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. O próprio Jesus usou seu conhecimento da Verdade para corrigir o testemunho sensorial de milhares, curando-os de todos os tipos de doenças e pecados. Ele deixou um mandamento para seus discípulos em todas as eras: pregar o evangelho e curar os enfermos, dizendo: “Ele também fará as obras que eu faço; e fará obras maiores do que estas”.