“Como mil anos” |

“Como mil anos”

Edição de 22 de maio de 1915, Christian Science Sentinel por Annie M. Knott


Ao longo das Escrituras, a expressão “mil anos” é frequentemente usada de forma simbólica, por vezes para contrastar a noção mortal de tempo com a ideia espiritual de eternidade. Assim diz o salmista a respeito do Todo-Poderoso: “Mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que passou”; então, após algumas reflexões melancólicas sobre a brevidade e a incerteza da experiência mortal, ele ora: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”.

Aqueles que estudam a fisiologia, no esforço de conhecer melhor o homem, logo descobrem que mil anos de história mortal praticamente não alteraram a estrutura corpórea da raça humana; na verdade, qualquer mudança existente aponta mais para a decadência do que para o desenvolvimento. Biólogos reconhecem que a visão e a audição do homem civilizado são inferiores às do homem selvagem — sem mencionar o corpo físico sob outros aspectos — e que, no plano animal, os homens possuem menos resistência, força e agilidade do que muitas criaturas quadrúpedes. Do ponto de vista da materialidade, podemos muito bem perguntar, com a Sra. Eddy: “De que serve investigar o que é erroneamente chamado de vida material, a qual termina, tal como começa, num nada sem nome?” Ciência e Saúde, p. 550.

A Ciência Cristã, contudo, não começa nem termina com uma visão negativa das coisas, independentemente do que possam supor críticos mal informados sobre seus ensinamentos. Ela vai direto à verdade vital de que um dia de verdadeira experiência espiritual vale mais do que uma vida inteira comum, mantendo-se assim fiel à declaração das Escrituras de que um dia “para o Senhor” é “como mil anos”. Nada é mais certo do que o fato de que muitos dias e anos são desperdiçados porque os homens não percebem que precisam trabalhar com Deus para realizar algo de valor para si mesmos ou para a humanidade. Isso não significa realizar o trabalho com o intuito de agradar a uma divindade conhecida apenas por meio de credos e dogmas, mas sim compreender, em todas as suas atividades, a presença e o poder da Mente que governa todo o universo.

No Apocalipse, lemos sobre uma igreja — a de Sardes — que gozava de boa reputação entre os homens, mas que, julgada sob a ótica espiritual, estava morta; e a sentença contra ela foi esta: “Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”. Poderia tal igreja ter uma história de mil anos? Não, pois são necessários uma vida verdadeira e um agir verdadeiro para conter as marés do sensualismo mortal e elevar-se acima delas, tal como a arca se elevou acima do dilúvio. Pouco importa a indivíduos, igrejas ou nações ter nome e fama entre os homens se suas obras não forem “perfeitas diante de Deus”, pois Ele é o verdadeiro árbitro, e Seus decretos não podem ser ignorados para sempre. Cristo Jesus ordenou a todos os seus seguidores que “vigiassem”, e a acusação contra Sardes foi a de não ter vigiado; contudo, mesmo com a solene advertência de uma ruína iminente, surgiu uma promessa gloriosa para aqueles que “não contaminaram as suas vestes”.

Dois mil anos se passaram desde que São Pedro escreveu suas notáveis palavras sobre o significado de “um dia para o Senhor”; e, embora possamos refletir profundamente sobre elas, não nos cabe julgar aqueles que viveram e trabalharam nos séculos intermediários. No entanto, é de suma importância que avaliemos nossas próprias realizações, a cada dia, pelo padrão divino de perfeição, lembrando sempre que “para Deus nada é impossível”. Qualquer que seja o nosso objetivo — seja vencer a doença ou o pecado, ou promover o avanço da humanidade rumo à retidão, à paz e à prosperidade —, faremos bem em lembrar que, embora mil anos de teorias humanas e experimentos materiais nada realizem em termos de progresso real, ainda assim — como nos assegura a página 504 de Ciência e Saúde — “os raios da Verdade infinita, quando reunidos no foco das ideias, trazem luz instantaneamente”.

A obra de cada homem será provada como que pelo fogo, diz-nos São Paulo 1 Corintians 3:13-15; portanto, devemos fazer com que os momentos contem, de modo que cada dia seja marcado por vitórias espirituais distintas — vitórias que jamais poderão nos ser arrebatadas, pois são realizadas em Deus e têm seu lugar no reino da Verdade e do Amor.


ORIGINAL

“A thousand years”

May 22, 1915 Issue, Christian Science Sentinal by Annie M. Knott

Throughout the Scriptures the phrase “a thousand years” is many times used symbolically, sometimes to contrast the mortal sense of time with the spiritual idea of eternity. Thus does the psalmist say of the Almighty, “A thousand years in thy sight are but as yesterday when it is past;” then, after some mournful reflections upon the briefness and uncertainty of mortal experience, he prays, “So teach us to number our days, that we may apply our hearts unto wisdom.”

Those who study physiology in the effort to become better acquainted with man, soon learn that a thousand years of mortal history has made practically no change in the corporeal structure of the race; indeed what change there is, indicates decadence rather than development. It is admitted by students of biology that the eye and ear of the civilized man are inferior to those of the savage, to say nothing of the physical body in other respects, and that on the animal plane men have less endurance, strength, and agility than many four-footed creatures. From the view-point of materiality we may well ask with Mrs. Eddy, “Of what avail is it to investigate what is miscalled material life, which ends, even as it begins, in nameless nothingness?” Science and Health, p. 550.

Christian Science, however, neither begins nor ends with a negative view of things, whatever may be supposed by ill informed critics of its teachings. It goes at once to the vital truth that one day of actual spiritual experience counts for more than an ordinary lifetime, thus holding by the Scripture declaration that one day “with the Lord” is “as a thousand years.” There is nothing more certain than that many days and many years are wasted because men do not see that they must work with God in order to accomplish anything of value to themselves or to humanity. This does not mean that one is to do his work with the thought of pleasing a deity known to him only through creed and dogma, but that he should realize in all his activities the presence and power of the Mind that governs the entire universe.

In Revelation we read of a church, that of Sardis, which had a goodly name among men, but which, judged by spiritual sense, was dead, and the sentence against it was this : “I have not found thy works perfect before God.” Could such a church have a history of a thousand years? No, for it requires true living and true activity to stem the tides of mortal sensualism and rise above them as did the ark above the deluge. It matters little to individuals, churches, or nations that they have name and fame among men, if their works are not “perfect before God,” for He is the real arbiter and His decrees cannot forever be disregarded. Christ Jesus commanded all his followers to “watch,” and the charge against Sardis was that it had not been watchful; but even with the solemn warning of impending doom there came a glorious promise to those who had “not defiled their garments.”

Two thousand years have gone by since St. Peter wrote his remarkable words respecting the significance of one day “with the Lord,” and while we may ponder them deeply, it is not for us to pass judgment upon those who have lived and wrought in the intervening centuries. It does, however, most deeply concern us to measure our own achievements each day by the divine standard of perfection, ever remembering that “with God nothing shall be impossible.” Whatever our aim, whether it be the overcoming of disease or sin, or the advance of the race toward righteousness, peace, and prosperity, we shall do well to remember that although a thousand years of human theories and material experiments accomplish nothing in the way of real progress, yet, as we are assured on page 504 of Science and Health, “the rays of infinite Truth, when gathered into the focus of ideas, bring light instantaneously.”

Each man’s work is to be tried as by fire, St. Paul tells us 1 Corinthians 3:13-15; therefore we must make the moments count, so that the days shall each be marked by distinct spiritual victories, which can never be wrested from us because they are wrought in God and have their place in the realm of Truth and Love.