Dar e Obter
Edição do jornal da Ciência Cristã, de 1º de setembro de 1923, por Paul Stark Seeley
A grande maioria da humanidade está ocupada no esforço de obter algo. Obter é o motivo primordial dos mortais. A razão, como a Ciência Cristã esclarece, é que a chamada mente mortal — o erro básico do qual emanam todas as manifestações do mal — utiliza como seu instrumento de identificação, motivação e expressão aquela mistura de crenças negativas denominada personalidade humana: a contrafação do homem real, a expressão individual da Divindade. Essa personalidade mortal e humana, não tendo Princípio ou poder que a sustente ou guie, esforça-se naturalmente por sustentar-se obtendo tudo o que pode para si mesma, e de todas as maneiras que sua engenhosidade egoísta — impelida pelo medo de sua própria e inevitável autodestruição — possa arquitetar e conceber. O resultado é um mundo temporal de pensamento carnal, no qual os homens se esforçam para obter coisas uns dos outros, e onde a competição impiedosa, bem como hábitos de pensar e agir fratricidas e parasitários, são coisas comuns.
Como os homens se ocupam em obter! Muitos querem obter dólares e acreditam estar enriquecendo; outros buscam posição ou renome; alguns querem obter terras, casas, automóveis, roupas finas. Muitos estão ocupados adoecendo, curando-se, ferindo-se, irritando-se, metendo-se em encrencas ou saindo delas. Mesmo enquanto transitam pelas ruas e estradas, alguns estão obtendo algo, avançando ou ficando para trás. Todos buscam obter satisfação e felicidade. Obter, obter — quão vazia soa essa palavra! Tal ato de obter não faz parte da linguagem da nova língua do Espírito e jamais foi ouvido por Deus. Embora a imagem, segundo o sentido material, de um mundo voltado apenas para o obter — de homens mortais impelidos por motivos falsos e ambições fúteis — não seja algo agradável, é bom que percebamos sua vaidade enganosa e vazia, e nos certifiquemos de não aceitar um lugar nessa imagem. Ela não passa de uma pobre contrafação do ser real, no qual Deus e o homem vivem eternamente para dar.
Certo dia de primavera, um grupo de amigos viajava de carro por uma bela região da Pensilvânia. O trajeto passava por colinas e montanhas, ao longo de riachos e rios, e através de vales, todos revestidos pelas ricas e coloridas vestes da primavera. O dia estava repleto de glória, e toda a natureza entoava uma silenciosa sinfonia de louvor ao Criador. Nunca antes a terra parecera tão bela! À medida que avançavam, a mensagem de dar surgia repetidamente. Tudo estava a dar! O sol, lá no alto, dava luz e calor; a estrada, sob os pés, proporcionava um caminho fácil para a viagem; o carro oferecia transporte e conforto; os amigos dispensavam hospitalidade e gentileza; as árvores ofereciam graça e beleza; as flores davam cor e doçura; os pássaros contribuíam com seus coros; os riachos saciavam a sede de pássaros, homens e flores; as casas de fazenda ofereciam conforto e abrigo; as vacas forneciam leite para beber e alimento. E então, quando parecia não haver nota de discórdia a perturbar a harmonia de uma existência altruísta, surgiu de repente à vista um grupo de lápides brancas, brilhando à luz do sol nos arredores de uma agradável vila rural. Poderiam elas, também, estar a dar? Ah, sim, pois o anjo visitante sussurrou que elas davam testemunho de um afeto amoroso por amigos presentes, embora invisíveis. Como foi bom ouvir isso!
Seguimos viagem. As colinas transmitiam mensagens de força e firmeza; os vales proclamavam a produtividade da humildade; as placas da estrada indicavam a direção. Então, chegamos a um rio caudaloso que avançava em direção ao mar. Sua dádiva era o trabalho de séculos pacientes, desgastando as encostas das montanhas e preparando, em suas margens de outrora, o terreno plano onde os homens agora podem traçar seus caminhos de comunicação e viagem. Tudo era doação. O sentido falso estava a ceder lugar, e o Espírito revelava que toda a criação, por meio de uma expressão altruísta, louvava o grande Doador, o Deus eterno. Tudo existia apenas para manifestar o Amor. Não havia ali qualquer sentido de ego. E o ato de dar era tão vital, tão alegre, tão destemido, tão livre. Era um vislumbre tênue da pulsação da divindade.
O que se percebeu naquele único dia não passa de indícios do que podemos perceber a cada dia e a cada hora — aquele sentido divino da criação, no qual cada ser criado vive apenas para transmitir a mensagem de Deus, o Amor que tudo dá. Quão natural é para o homem dar! Não é ele a expressão da ação e do ser divinos, sem outra Mente ou Vida além de Deus? O Amor, Deus, nunca recebe, mas dá eternamente — dando bondade, pureza, alegria, vida, saúde, paz e perfeição.
Além disso, o Cientista Cristão dispõe das oportunidades de doar previstas divinamente no *Manual de A Igreja Mãe*. Ele pode apoiar de todo o coração cada atividade deste movimento designado por Deus. As igrejas filiais, os cultos, as Salas de Leitura, as conferências, as Escolas Dominicais, os periódicos — tudo isso lhe oferece uma rica oportunidade de estar sempre contribuindo para a Causa de Cristo. Essas são dádivas do Amor. O homem é a prova evidente de que elas o são. Que alegria manifestar esse fato divino, provar por toda a eternidade o que Deus é, de fato, o Doador de todo o bem infinito, e o homem é a prova da generosidade divina do Amor!
A Ciência Cristã define o homem como o reflexo de Deus. Aquilo que reflete só o faz porque naturalmente, incansavelmente e continuamente doa. Pensamentos de querer obter algo são como gotas de piche sobre uma superfície refletora; ela não consegue funcionar enquanto eles ali estiverem.
Na página 5 de The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Miscelânea), a Sra. Eddy nos diz com propriedade: “Totalmente à parte deste sonho mortal, desta ilusão e engano dos sentidos, a Ciência Cristã vem revelar o homem como imagem de Deus, Sua ideia, coexistente com Ele — Deus dando tudo e o homem possuindo tudo o que Deus dá”. Cristo Jesus viveu apenas para transmitir a verdade que Deus lhe havia dado. Nossa Líder dedicou todos os seus anos, como ela nos conta em *Miscellaneous Writings* (Escritos Diversos, p. 39), a dar à luz a verdadeira Ciência Cristã. Uma vida inteira dedicada a doar!
O que, então, nós, como Cientistas Cristãos, podemos doar? Primeiramente, podemos oferecer gratidão — diariamente, a cada hora e nas reuniões de quarta-feira à noite; depois, podemos irradiar bondade, amor, pureza, honestidade, misericórdia e justiça no cotidiano da vida. À medida que doamos dessa forma a cada dia, Deus rapidamente nos capacitará a doar cada vez mais de Sua Palavra sanadora, até que finalmente descubramos e demonstremos nossa verdadeira natureza como expressão individual do Deus onipresente. Eis o fato do ser; eis o motivo para viver; eis onde se encontram toda a felicidade, satisfação e sucesso.
Há apenas uma coisa que o homem deve buscar obter: a compreensão. “Com tudo o que possuis, adquire a compreensão”, escreve o sábio; e ele também diz: “Todas as coisas que possas desejar não se comparam a ela”. Mas essa aquisição é o oposto daquela impulsionada por motivos humanos. Não se pode obter compreensão sem doar — inclusive sem abrir mão de um falso sentido de prazer e dor na matéria, ou de uma crença em um “eu” que não seja a manifestação de Deus. Ao doar e renunciar àquilo que não passa de sentido pecaminoso, o homem conquista o que para ele é tudo: o sentido espiritual da vida, no qual o homem é compreendido como o reflexo indestrutível do Amor. Ao permanecer nesta fortaleza de mentalidade espiritual, ele começa a sentir e a compreender o significado das palavras simples, porém profundas, do Mestre Metafísico: “Dai, e dar-se-vos-á”.