O Tempo Não é Tóxico |

O Tempo Não é Tóxico

por Herbert W. Eustace


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Extraído da edição de terça-feira, 23 de novembro de 1948 (pág. 4), do jornal Kentucky New Era; artigo de Erich Brandeis (encontrado nos arquivos da Fundação Herbert Eustace).

Aqui está algo que deveria ser acrescentado ao nosso acervo de máximas, além de ser emoldurado e pendurado em todos os lares. Como a maioria das máximas e ditados, provavelmente não é algo totalmente exato. Mas é suficiente para mim, pois experimentei e comprovei sua veracidade.

Experimente você mesmo; pode lhe fazer um bem enorme. Peça ao seu marido que experimente quando ele começar a reclamar. Peça à sua esposa que experimente — você sabe em que momento. Não se preocupe com as crianças; elas ainda não precisam disso. A frase é esta: “O TEMPO NÃO É TÓXICO”.

Não fui eu quem a criou. Eu não sei quem o fez. Mas foi o tema principal de uma conferência recente de médicos e cirurgiões em Cincinnati.

Segundo esses médicos, uma das principais queixas de seus pacientes é: “Doutor, estou envelhecendo”. Eles então atribuem quase tudo o que lhes acontece à chegada da velhice. Acham que não há nada a fazer a respeito. Pensam que a artrite, problemas cardíacos, câncer — na verdade, quase tudo — são causados pelo tempo. “Bobagem”, dizem os médicos.

“O tempo não tem nada a ver com isso”.

Permitam-me citar um dos discursos proferidos na conferência por um especialista de renome:

“Todo tecido humano é dotado de potencial de imortalidade quando adequadamente suprido com nutrientes, oxigênio e calor apropriado, e quando a remoção de resíduos é realizada com cuidado. O tempo não exerce efeito sobre tecidos humanos mantidos nessas condições — ou, na verdade, sobre tecidos humanos em quaisquer condições.”

“O vigor não varia necessariamente de forma inversa à idade do adulto. Ele varia diretamente em função de fatores como hereditariedade, hábitos de vida saudáveis, estado mental e tratamentos médicos e cirúrgicos.”

Os médicos concordaram que a crença nos efeitos do tempo tende a reduzir a ambição; consequentemente, as expectativas e os esforços ficão limitados. “Todos aqueles que desenvolvem uma ‘neurose do tempo’ aderem à superstição predominante de que o tempo é, de certa forma, um veneno que exerce uma ação misteriosa e cumulativa.”

O relatório acrescenta que, quando existe esse tipo de neurose relacionada ao tempo, a confiança e a esperança diminuem; a preocupação constante reduz a eficiência e aumenta o nervosismo e a irritabilidade. “Sintomas imaginários são observados com frequência crescente. A mente ou o coração parecem estar falhando. Dá-se uma atenção doentia a qualquer sintoma insignificante”.

E, caramba, esses médicos têm razão. Acabei de sentir uma dor horrível no pescoço. Uma dor aguda. Reumatismo? Neurite? Velhice? Fui investigar. Sabe o que era? Um alfinete que tinha ficado preso na roupa.

Espero que esta coluna lhe seja útil. Mas deixo apenas um conselho de despedida: não saia por aí fazendo estripulias só porque os médicos dizem que a velhice é algo imaginário. E não coma feito um porco. Porcos não vivem muito.