Caim e Abel – O Sonho Dissipado |

Caim e Abel – O Sonho Dissipado

Da ed. de 26 de setembro de 1914 do Christian Science Sentinel, William E. Brown


“Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.” Este chamado claríssimo de Paulo é tão aplicável e significativo para o cristão de hoje quanto o era para os efésios do primeiro século, mas até o advento da Ciência Cristã, o verdadeiro significado da ordem peremptória, porém amorosa, de Paulo não era compreendido pelos mortais, embora nela esteja contido o conselho mais importante de toda a cristandade. Paralelamente importante é a declaração de Mary Baker Eddy na página 40 de Ciência e Saúde: “A natureza do cristianismo é pacífica e abençoada, mas para entrar no reino, a âncora da esperança deve ser lançada além do véu da matéria, na Shekinah, para a qual Jesus passou antes de nós.”

Uma das coisas que a Ciência Cristã busca constantemente incutir em seus alunos é que não há repouso na matéria. Esta Ciência ensina claramente que a matéria, ou a consciência material, é apenas o sonho adâmico do qual todos os mortais devem despertar antes que a paz e a felicidade possam ser alcançadas. Quando alguém se convence da verdade desta afirmação, percebe-se que há apenas um propósito real na vida, a saber, o esforço contínuo para despertar a si mesmo e aos outros para a consciência do universo real da criação de Deus. Acompanhando essa convicção, surge um estado de pensamento aguçado que percebe a insensatez e o perigo de se demorar no caminho, prolongando assim o sonho da vida e da inteligência na matéria.

Quanta gratidão o mundo deve a Mary Baker Eddy por instruir os mortais sobre os fatos da existência, mostrando-lhes que a percepção mortal dela não passa de um sonho, a ser dissipado pelo conhecimento da verdade do ser! Foi isso que Paulo ensinou aos Efésios. “Despertai”, ele lhes diz, “e Cristo vos iluminará”. É Cristo, portanto, quem despertará os mortais adormecidos. Aqui, mais uma vez, a Ciência Cristã confere bênção eterna à humanidade, proporcionando uma compreensão espiritual da Verdade e concedendo a capacidade de aplicá-la na prática a todos os aspectos da vida diária.

Para aqueles que se maravilharam e lamentaram a existência terrena, com seu pecado, doença e morte; com sua crueldade, egoísmo e desumanidade; com suas lutas, competições e rivalidades inerentes ao simples ato de existir, surge um grande alívio ao saber, por meio da Ciência Cristã, que tudo isso é um sonho mortal e irreal, e que, em vez da tarefa inglória de desvendar a complexa teia de séculos, basta despertar para uma consciência superior que conhece o universo como Deus sempre o conheceu: imutavelmente perfeito, harmonioso e indestrutível, cada ideia sempre em seu devido lugar, cumprindo sua função, sempre provida. Essa visão ilumina a declaração de Paulo aos Coríntios: “Pois, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados”. Aqui, os termos Adão e Cristo referem-se inequivocamente a condições mentais, e essa interpretação é ainda mais reforçada pela tradução de outro livro, que usa “o Cristo”.

Que a existência mortal não passa de um sonho é claramente ensinado pelas Escrituras, que empregam repetidamente os termos sono e vigília em conexão com a importantíssima questão da salvação. Aos Romanos, Paulo disse: “Já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando cremos”. Novamente, o salmista cantou: “Eu me satisfarei, quando despertar, com a tua semelhança”. Portanto, a coisa mais importante na vida, o verdadeiro objetivo da existência mortal, é despertar do sonho ou da consciência de Adão, para perceber o universo como ele realmente é, espiritualmente perfeito. Para esse fim, portanto, deve-se empregar todo esforço e empenho, para que possamos levar “todo pensamento à obediência de Cristo”. Ou seja, é preciso firmar-se na rocha da verdade, sabendo que Deus, o homem e o universo são eternamente perfeitos; e, permanecendo ali, deve-se negar todo argumento ou sugestão que contradiga essa grande verdade. Em outras palavras, deve-se esforçar para saber que se é filho de Deus e agir de acordo.

Aqueles que, convencidos pela Ciência Cristã de que o verdadeiro propósito da experiência humana é despertar do sonho da mortalidade, não fazem concessões ao erro, não têm tempo nem inclinação para fofocas ou para ouvir calúnias, não têm tempo de sobra para desperdiçar em diversões tolas ou frivolidades, mas, ao contrário, consideram cada momento precioso e um fator importante na resolução dos problemas da vida.

“Com Cristo”, declara Mary Baker Eddy, “a vida não era meramente uma sensação de existência, mas uma sensação de poder e capacidade de subjugar as condições materiais” (Unidade do Bem, p. 42), e na página 56 do mesmo volume ela aponta os marcos que indicam o progresso nessa superação. Para experimentar tal progresso, é bom observar constantemente a admoestação da Fundadora da Ciência Cristã, aquela que descobriu o caminho para o despertar do sonho adâmico. “Compreender a Deus”, ela nos diz, “é obra da eternidade e exige consagração absoluta de pensamento, energia e desejo (Ciência e Saúde, p. 3).

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