O Contraste – 4º Segmento
De “A Maior Coisa do Mundo”, de Henry Drummond
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Paulo começa contrastando o Amor com outras coisas que os homens daquela época valorizavam muito. Não tentarei abordar essas coisas em detalhes. Sua inferioridade já é óbvia.
Ele o contrasta com a eloquência. E que dom nobre é esse, o poder de influenciar as almas e as vontades dos homens, incitando-os a propósitos elevados e obras santas! Paulo diz: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retina”. Todos nós sabemos por quê. Todos nós já sentimos a audácia das palavras sem emoção, o vazio, a inexplicável falta de persuasão da eloquência por trás da qual não há Amor.
Ele o contrasta com a profecia. Ele o contrasta com os mistérios. Ele o contrasta com a fé. Ele o contrasta com a caridade. Por que o Amor é maior que a fé? Porque a finalidade é maior que os meios. E por que é maior que a caridade? Porque O Todo é maior que ‘a parte’.
O amor é maior que a fé, porque o fim é maior que os meios. Qual a utilidade de se ter fé? É conectar a alma com Deus. E qual o objetivo de conectar o homem com Deus? Que ele se torne como Deus. Mas Deus é Amor. Portanto, a fé, o meio, para alcançar o amor, o objetivo. O amor, portanto, é obviamente maior que a fé. “Ainda que eu tenha fé de maneira tal que possa transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei.”
Ele é maior do que a caridade, novamente, porque O Todo é maior que a parte. A caridade é apenas uma pequena parte do amor, uma das inúmeras vias do amor, e pode haver, e há, muita caridade sem amor. É muito fácil dar uma moeda a um mendigo na rua; geralmente é mais fácil do que não fazê-lo. No entanto, o amor está frequentemente presente na omissão. Compramos alívio através da compaixão despertada pelo espetáculo da miséria, ao custo simbólico de uma moeda. É barato demais — barato demais para nós e, muitas vezes, caro demais para o mendigo. Se realmente o amássemos, faríamos mais por ele ou menos. Daí a frase: “Ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar o pobre, se não tiver amor, de nada me aproveitará”.
Então Paulo contrasta isso com o sacrifício e o martírio: “Ainda que eu entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveitará”. Os missionários não podem levar nada mais importante ao mundo pagão do que a impressão e o reflexo do Amor de Deus em seu próprio caráter. Essa é a linguagem universal. Levará anos para que eles aprendam a falar chinês ou os dialetos da Índia. Desde o dia em que desembarcarem, essa linguagem do Amor, compreendida por todos, estará derramando sua eloquência inconsciente.
É o homem que é o missionário, não suas palavras. Seu caráter é sua mensagem. No coração da África, entre os Grandes Lagos, encontrei homens e mulheres negros que se lembravam do único homem branco que já tinham visto antes — David Livingstone; e ao seguir seus passos naquele continente escuro, os rostos dos homens se iluminavam ao falarem do bondoso médico que ali passou anos atrás. Eles não conseguiam entendê-lo, mas sentiam o amor que pulsava em seu coração. Sabiam que era amor, embora ele não dissesse uma palavra.
Leve para a sua esfera de trabalho, onde você também pretende dar a sua vida, esse encanto simples, e o seu trabalho certamente terá sucesso. Você não pode aceitar nada maior, nem precisa aceitar nada menor. Você pode conquistar todas as realizações; pode estar preparado para todos os sacrifícios; mas se você entregar o seu corpo para ser queimado e não tiver amor, isso não lhe aproveitará nada, nem à causa de Cristo.