Devoção |

Devoção

Do periódico Christian Science Sentinel, 29 de março de 1924 , Duncan Sinclair


Todo aquele que, em certa medida, compreende os ensinamentos da Ciência Cristã e é capaz de colocá-los em prática, sente profunda gratidão. Ele pode olhar para trás, possivelmente ao longo de muitos anos, para o tempo em que ignorava a verdade que a Ciência divina revela; e, mantendo na memória seu estado de pensamento daquela época, contrastá-lo com seu atual estado de iluminação espiritual. E que contraste! É como ir da escuridão para a luz. Mesmo no início de seus estudos, não lhe invadiu uma grande alegria? Parecia que ele havia passado para uma nova vida. Sentia como se o velho mundo material, duro e implacável, com seus fardos de tristeza, sofrimento e preocupações, estivesse desaparecendo rapidamente, e em seu lugar surgia com a mesma rapidez o reino dos céus; e com a sua chegada, ele experimentava a cura, a cura do corpo e da mente. A entrada na Ciência Cristã tem sido uma experiência verdadeiramente maravilhosa para muitos. Devemos nos surpreender que a alegria permaneça com eles e que sua gratidão continue a brotar como de uma fonte perene?

Muitos, muitos mesmo, já tiveram a experiência que acabamos de relatar. Mas muitos também descobriram — na verdade, a maioria descobriu — que, após o primeiro período, mais ou menos prolongado, de exultação, segue-se um tempo de adaptação. Quase nada se compara à alegria de saber que o Cristo curador, a Verdade, está tão disponível agora quanto estava nos tempos remotos em que o Mestre o demonstrou. Ser curado, talvez de uma doença considerada incurável, pela compreensão do Cristo; ser aliviado, talvez, do peso esmagador de alguma crença pecaminosa que corroía as entranhas da felicidade, através da compreensão e aplicação da lei espiritual — essas são, de fato, experiências incomparáveis; mas são quase invariavelmente sucedidas por um período de adaptação. A cura de uma doença ou pecado específico não indica, de forma alguma, que o indivíduo tenha alcançado sua salvação completa. Isso só pode ser dito quando a última crença material for destruída, quando se conhecer a natureza inteiramente espiritual do homem e esse fato for demonstrado.

Para a percepção humana, parece que um caminho considerável precisa ser percorrido desde o momento em que se começa a apreender a verdade do Ser até a ascensão final sobre toda crença material. E é durante esse período de transição que a devoção se torna mais necessária. Todo Cientista Cristão atuante está vivendo esse período agora; e ele sabe disso muito bem. Mary Baker Eddy define a essência da devoção de forma esplêndida na página 241 de “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras”, quando diz: “A essência de toda devoção é a reflexão e a demonstração do Amor divino, curando doenças e destruindo o pecado”.

Dia após dia, o trabalho do Cientista Cristão se revela a ele. Mantendo sempre presente em seus pensamentos a verdade sobre o Princípio divino, o Amor, e demonstrar seu poder na cura de si mesmo e de seus semelhantes. Esta é uma grande tarefa, um dever heroico. Nenhum Cientista Cristão sincero a subestima. As palavras de Cristo Jesus, nosso Guia, à mulher samaritana permanecem sempre diante dele: “Deus é Espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

A devoção é sempre necessária para o sucesso em qualquer área de atuação. É especialmente indispensável na vida espiritual. Uma grande e elevada resolução deve acompanhá-la, pois devoção é simplesmente outro nome para consagração; e consagração é inseparável da oração — a adoração ao Deus vivo. Referindo-se à parábola das “dez virgens”, nossa amada Líder, Mary Baker Eddy, escreve em “Escritos Diversos” (pp. 341, 342): “Aprendemos com esta parábola que nem as preocupações deste mundo, nem os chamados prazeres ou dores dos sentidos materiais são suficientes para justificar a negligência da luz espiritual, que deve ser cultivada para manter acesa a chama da devoção, pela qual se entra na alegria da Ciência divina demonstrada”.

A questão da devoção, portanto, é da maior importância para todo Cientista Cristão, como as palavras de Mary Baker Eddy, citadas anteriormente, deixam perfeitamente claro. E não aponta ela exatamente para as tentações das quais todos devem se precaver — as “preocupações deste mundo” e os “chamados prazeres ou dores dos sentidos materiais”? De fato, a devoção se resume a uma questão de fidelidade a Deus — obediência ao Primeiro Mandamento: “Não terás outros deuses além de mim”. E nada é mais certo de que o caminho da devoção não pode ser trilhado senão por meio de uma compreensão espiritual iluminada. Coragem, firmeza, fortaleza, paciência, longanimidade — todas as graças da compreensão espiritual são necessárias. As palavras de Paulo aos Gálatas, escritas com um coração profundamente devotado, certamente merecem ser lembradas: “Permanecei, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não vos sujeiteis outra vez ao jugo da escravidão”.

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