A Casa do Pai
Do número de 2 de setembro de 1905 do Christian Science Sentinel, Annie M. Knott
Em tempos de dúvida ou tristeza, a consciência humana em luta precisa se apoiar na âncora da fé, que impede que o pensamento se desvie até que a tempestade passe. Nessas horas, a Ciência Cristã vem iluminar a escuridão e revelar o caminho para muitos que, de outra forma, poderiam sofrer um naufrágio. Por meio dessa nova compreensão da Verdade, as declarações do Mestre são iluminadas, e sua relação com nossas experiências individuais torna-se clara e prática. Percebe-se facilmente que nossa antiga compreensão material de suas palavras é inadequada para a resolução de nossos problemas e que a luz de que precisamos é espiritual.
A declaração de Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”, tem sido uma grande fonte de consolo para muitos, mas também deu origem a muita especulação improdutiva. Parece, no entanto, que uma lição é claramente transmitida por ela; Ou seja, que a casa do Pai é o domínio universal do Amor divino e que as necessidades de todos os filhos de Deus são amplamente supridas nela.
Parece também que as muitas moradas mencionadas pelo Mestre representam os diferentes estágios de consciência pelos quais devemos passar em nosso caminho para uma compreensão plena do Princípio divino — nosso Deus Pai-Mãe.
Aos sentidos mortais, nossa morada atual pode ser humilde, pode até estar obscurecida pela tristeza ou pelo sofrimento, mas um reconhecimento crescente da presença do Amor divino dissipará as nuvens e revelará um lar radiante com a luz da Verdade, e nas horas de iluminação ainda maior haverá vislumbres das paredes de jaspe, de safira e de esmeralda. A Ciência Cristã nos ensina como devemos nos comportar em tal “lar da alma” e que podemos convidar para seu abrigo todos os peregrinos doentes e cansados.
As palavras animadoras: “Vou preparar-vos um lugar”, dizem-nos que Cristo — a ideia divina — sempre nos precede, antecipando as nossas necessidades e providenciando-as, e que, como seguidores da Verdade, também nós, devemos nos preparar para os outros lugares na consciência onde nenhum mal possa encontrar espaço, seja como pecado, doença ou morte.
Como Cientistas Cristãos, podemos muito bem nos perguntar se estamos seguindo Cristo Jesus nesse aspecto, se nós, em nossa vida semelhante à de Cristo, estamos revelando as “muitas moradas” àqueles que se perdem nos labirintos da materialidade e que acreditam que o único caminho para a “casa do Pai” é através do vale da sombra da morte.
Nos escritos da Sra Eddy, vemos claramente como todos podem seguir os passos do Mestre e, assim, encontrar o seu lugar de direito, providenciado pela sabedoria infinita. Devemos saber que cada um de nós está agora em uma das muitas moradas, e que todo o bem está lá, e é para nós, se tão somente o reconhecermos. É nossa tarefa presente expulsar toda crença no mal. Pecado, doença, discórdia, pois não podemos nos dar ao luxo de permitir que tons dissonantes interrompam nosso reconhecimento gradual da harmonia eterna.
Ninguém que lê sobre a “casa do Pai” jamais supõe que o pecado, a doença ou a morte tenham lugar ali. A Ciência Cristã endossa essa visão e insiste ainda na necessidade de uma compreensão da Verdade divina que demonstre que não somos seguidores consistentes de Cristo a menos que provemos nossa lealdade cristã em pensamentos, palavras e ações condizentes com a casa do Pai, na qual nada pode entrar que a profane ou proponha mentiras.
O pensamento dessa morada majestosa é belamente expresso no poema de Holmes [Oliver Wendell Holmes],
“O Nautilus de Câmaras”:
Constrói para ti mansões mais imponentes, Ó minha alma,
À medida que as estações velozes se sucedem!
Deixa para trás teu passado de abóbadas baixas!
Que cada novo templo, mais nobre que o anterior,
te isole do céu com uma cúpula mais vasta,
até que enfim estejas livre,
largando tua casca ultrapassada à beira do mar inquieto da vida!
Nota:
O náutilo-de-câmara é uma criatura marinha conhecida por sua concha espiral característica, que constrói em câmaras à medida que cresce. Ele serve como metáfora para o crescimento pessoal e o desenvolvimento espiritual no poema “O Náutilo-de-Câmara”, de Oliver Wendell Holmes, onde o náutilo simboliza a jornada da vida e a busca pelo aprimoramento.
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