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Julia M. Knowles

Do Jornal da Ciência Cristã, dezembro de 1896.


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Prezado Jornal: — Enquanto aguardo o que a inaudível “Voz” lhe dirá a respeito de uma mensagem, uma visão encantadora me veio à mente: a de um círculo completo, e ao mesmo tempo a sugestão: “O que podemos fazer para acelerar esse período utópico?”

A resposta encontra-se naquela oração incomparável registrada no capítulo dezessete de João. Jesus, o Mestre e amigo, estava prestes a deixar os discípulos, pois a sombra da cruz já havia caído sobre Ele. Sua visão clara penetrou as brumas das eras vindouras, e Ele compreendeu plenamente a pressão que recairia sobre todos os que O chamavam de “Senhor”.

Seu coração se encheu de ternura e amor por Seus amigos, que em breve seriam dispersos, e uma profunda sensação da grande necessidade do mundo O invadiu.

Foi nesse momento supremo que Jesus orou ao Pai pedindo que o melhor bem possível viesse para aqueles por quem Ele, em breve, deixaria o senso temporal da vida terrena.

Três vezes ele repetiu o pedido para que Seus seguidores fossem feitos “Um”.

Então, Ele justificou essa repetição dizendo que, na medida em que houvesse tal união por parte daqueles que professavam o Bem, o mundo acreditaria nEle.

“Como o Pai me amou, assim Eu vos amei; permanecei vos no Meu Amor” havia sido um pensamento e uma exortação preciosos, dados anteriormente; mas isso não bastava para a fraqueza humana.

Ele apelou ao Pai para que complementasse Seus ensinamentos com o poder preservador da onipotência.

Ao considerar este assunto, dois pensamentos me vêm à mente. Primeiro, que possamos compreender, se possível, a profundidade do significado contido na pequena palavra “como” quando usada para descrever o amor e a harmonia existentes na união do Pai e do Filho antes da fundação do mundo. Isso nos ajudará a apreciar, em certa medida, o Amor que Cristo concede a todos os que guardam Seus mandamentos.

Outro pensamento é este: se quisermos nos tornar “trabalhadores com Ele”, devemos permanecer em Seu amor de tal forma que o mundo, ou a maior parte dele que estiver ao nosso alcance, creia que Cristo certamente veio.

Lemos em Apocalipse 22:13: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último”. Segue-se, então, como uma sequência lógica, que os seguidores da Verdade, ou todos os verdadeiros Cientistas Cristãos, podem finalmente alcançar a altura espiritual indicada naquela maravilhosa oração: “Eu neles, e Tu em Mim, para que sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo saiba que Tu Me enviaste e Tu os amaste, assim como Tu Me amaste”. [João 17:23]

Quando o “eu. eu. eu. eu” se transformar em amorosa compaixão e cuidado pelos outros, e o que eu se fundir ao bem comum; Na verdade, quando o Espírito de Cristo permear cada coração, o ômega tocará o alfa, o círculo se completará e a oração de Jesus será atendida.

Amados, teremos participação neste plano maravilhoso? Venceremos o egoísmo e entraremos nesta reconciliação, ou devemos dizer como Paulo em Filipenses 3:13, 14? **

Se discernirmos corretamente os sinais dos tempos, precisamos estar vestidos com toda a armadura para resistir aos dardos inflamados que voam ao nosso redor. O mundo inteiro parece estar em estado de “quimicalização”. O erro é desenfreado e os supostos defensores da Bíblia estão usando armas materiais em defesa da Verdade espiritual.

Em seu zelo cego, esquecem-se do caráter do Mestre por quem dariam suas vidas. É apenas a história se repetindo e a profecia se cumprindo. Jesus sendo novamente ferido na casa de seus amigos.

Seria bom que cada um de nós, como Cientistas Cristãos, que dedicassemos parte do tempo durante o próximo trimestre ao estudo cuidadoso das instruções finais dadas aos discípulos — e, por meio deles, a nós, para quem “chegaram os fins dos tempos” [1 Coríntios 10:11]— por um dos quais foi dito que “nunca ninguém falou como este homem”. [João 7:46]

Somente quando analisarmos, digerirmos e assimilarmos a Verdade por nós mesmos é que podemos transmiti-la aos outros. Muitos afirmam ser mestres da Palavra, mas nunca entraram nos recintos sagrados de uma vida espiritual.

Em conclusão, eu exorto cada um a se apegar firmemente à Verdade e a deixar que seu efeito transformador nos purifique de toda corrupção carnal, para que possamos ser apresentados, enfim, sem “nenhuma mancha, ruga ou qualquer outra imperfeição semelhante”.

**[Filipenses 3:13 Irmãos, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as coisas que estão diante de mim, 14 prossigo

para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.]

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