“O Amor Perfeito expulsa o medo”
Rev. G. A. Kratzer
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Para muitos estudiosos das Escrituras, este texto não parece totalmente claro, pois não conseguem perceber como o amor pode ser um antídoto especial para o medo. Parece que a fé é o oposto mais direto. Surge, então, a questão: como alcançar o amor perfeito?
Uma solução para essas dificuldades aparece, se a ordem das palavras no texto for invertida, de modo que se leia: o amor do Perfeito expulsa o medo. O amor perfeito deve necessariamente ser amor do perfeito; pois o amor ao imperfeito não poderia ser amor perfeito. Assim, para alcançar o amor perfeito, devemos aprender, e na Ciência Cristã podemos aprender, o que é o perfeito, e então aprenderemos a amar o perfeito.
Qual é a origem do medo? Ele surge quando antecipamos a possível ou contínua perda de algo ou alguém que amamos. Acreditamos que somos, ou seremos, privados de saúde, força, bens (substância), vida ou da presença ou vida de alguma pessoa que amamos. Mas, na Ciência Cristã, aprendemos que a única saúde verdadeira é a harmonia divina, que é a lei eterna, indestrutível, imutável e onipresente de Deus; e aprendemos que a única força verdadeira é o poder onipresente e indestrutível de Deus; e que a única propriedade (substância) verdadeira é o Espírito, a Mente infinita e suas ideias; que a vida é Deus ou a expressão de Deus, e é onipresente e indestrutível; e aprendemos que o único homem verdadeiro é a ideia de Deus, eterna, imutável, perfeita e onipresente.
Essas entidades reais são as entidades perfeitas, e nenhuma outra é perfeita ou real. Se, portanto, aprendemos a amar essas entidades e retiramos nosso amor de suas falsas contrapartes materiais, nosso amor se torna perfeito e se fixa em objetos ou entidades que sabemos que não podemos perder ou dos quais não podemos nos separar, visto que são onipresentes e eternos. Portanto, quando o nosso amor se torna perfeito através do amor pelo perfeito, sabemos que não podemos perder nada do que amamos e, assim, não temos motivo para temer. Por isso, “o amor perfeito expulsa o medo”. Também é evidente que “aquele que teme não está aperfeiçoado no amor”, pois não aprendeu a amar o perfeito, e somente o perfeito.
Uma criança e sua mãe caminham pelo campo. A criança pára para colher alguns botões-de-ouro; a mãe continua caminhando. De repente, a criança olha para cima e vê a mãe a uma certa distância. Em um acesso de medo, ela grita: “Mamãe! Mamãe! Espere por mim!”. Se a mãe pára, o medo da criança logo se dissipa, e ela não se importa de continuar caminhando até alcançá-la. Quando temos medo, geralmente é porque pensamos que a vida, ou algo ou alguém que amamos, está nos escapando; Mas quando, por meio da Ciência, nos convencemos verdadeiramente de que a Vida e todas as coisas boas esperarão até que as alcancemos — até que conquistemos a sua realização —, a maior parte do nosso medo se dissipará; e não nos importamos tanto com o período de luta que deve ser atravessado antes de obtermos a posse permanente do bem que buscamos.
Nesse sentido, vemos a grande sabedoria da exortação de São Paulo: “Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas”. Na medida em que obedecemos a essa injunção, somos libertados de qualquer motivo para medo, ansiedade, pressentimento ou dúvida, e entramos cada vez mais no amor, na alegria, na paz e na realização de todo o bem.
O desânimo é ainda mais sinistro porque geralmente é visto como inofensivo. Conta-se em uma fábula que o diabo, certa noite, realizou uma venda e ofereceu todas as suas ferramentas a quem pagasse o preço. Elas foram espalhadas à venda, algumas rotuladas como ódio, outras como inveja, doença, sensualidade, desespero e crime — uma variedade heterogênea. Separado dos demais, havia um instrumento de aparência inofensiva, em forma de cunha, marcado com a palavra “desencorajamento”. Estava bastante gasto e tinha um preço superior aos outros, demonstrando que era muito estimado por seu dono. Quando lhe perguntaram o motivo, o diabo respondeu: “Posso usar este com mais facilidade do que qualquer um dos outros, pois poucos sabem que me pertence. Com ele, posso abrir portas que não consigo abrir com os outros, e, uma vez lá dentro, posso usar o que me convier melhor.” – William R. Rathvon, no Christian Science Journal, maio de 1911
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